Pelo décimo sexto ano consecutivo, realizar-se-á nos dias 8 e 9 de maio na cidade templária que lhe dá nome, o festival literário Bibliotecando em Tomar, que tem como presidente da Comissão de Honra o Doutor Guilherme d’ Oliveira Martins, numa organização conjunta das seguintes instituições: Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria, Agrupamento de Escolas Templários, Câmara Municipal de Tomar, Centro de Formação ‘’Os Templários’’, Centro Nacional de Cultura, Instituto Politécnico de Tomar e Rede de Bibliotecas Escolares. Este ano será homenageado o escritor Valter Hugo Mãe, um autor com uma vasta, multifacetada e premiada obra, que será analisada e interpretada por especialistas e leitores.
Mantendo a tradição, no encerramento da edição do ano passado, foi enunciado o tema em torno do qual os debates deste ano se centram, «Entre o natural e o construído», propondo-se examinar as tensões dialógicas entre essas duas realidades, o modo como mutuamente se interpenetram, se confrontam e se redefinem.
A relação entre o ser humano e os territórios – sociais, culturais, afetivos, políticos – que percorre nunca foi de mera dominação ou contemplação passiva. Como nos recorda Michel de Certeau em l’invention du Quotidien (1980), «l’espace est un lieu pratiqué», argumentando que cada território se forma através dos gestos, percursos e apropriações daqueles que o atravessam. As nossas construções — sejam elas físicas, sociais ou simbólicas — emergem sempre de uma relação dialógica com os territórios que habitamos, entre o natural e o que construímos.
No tempo presente, esta reflexão ganha novos contornos com a emergência da inteligência artificial e das tecnologias digitais, que vieram abalar as nossas conceções tradicionais de «natural» e de «construído». No seu estudo La technique et le temps (1994), o filósofo francês Bernard Stiegler introduz o conceito de «tecnologia», entendido como uma forma de memória. Defende que toda a tecnologia não é simplesmente um conjunto de ferramentas, mas um aspeto fundamental da identidade humana, profundamente enraizado no nosso desenvolvimento histórico. Se o homem inventa a tecnologia, a tecnologia inventa o homem, sugerindo que as ferramentas criadas se constituem, por sua vez, como recriadoras dos seus criadores. Mais recentemente, Gérard Bronner, num estudo paradigmaticamente intitulado À l’assaut du réel – Vers la post-réalité? (2025), alerta para os perigos que corre o real, suplantado pelo construído. O autor considera que as sociedades modernas enfrentam desafios crescentes na compreensão da realidade, marcada por uma supremacia do desejo individual em detrimento da aferição e certificação, originando distorções, simplificações ou mesmo a negação de factos estabelecidos, em que as redes sociais e uma profusa divulgação de relatos divergentes e versões alternativas assumem papel principal.
Este encontro pretende ser um espaço de partilha e de escuta, onde diferentes perspetivas se cruzam— da literatura às artes plásticas e visuais, da política social às preocupações ecológicas, da inteligência artificial à inteligência natural — para, em conjunto, refletirmos acerca das tensões explícitas e implícitas entre o natural e o construído. Num belíssimo texto, Valter Hugo Mãe fala-nos do lugar central das bibliotecas na construção de cada indivíduo. Diz o autor: «As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem está a ponto de partir.» (Jornal de Letras, Artes e Ideias, maio de 2013). Nestes dois dias, também este evento, dando pleno significado à sua nomeação, procura ser o local de embarque para viagens mediadas pelos nossos ilustres convidados.

Caro/a Bibliotecante,
COMISSÃO DE HONRA
Guilherme d'Oliveira Martins (Presidente), Centro Nacional de Cultura
Judite Calado, Diretora do Agrupamento Nuno de Santa Maria
Paulo Macedo, Diretor do Agrupamento de Escolas Templários
Tiago Carrão, Presidente da Câmara Municipal de Tomar
Bruno Gomes, Presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere
Luís Albuquerque, Presidente da Câmara de Ourém
Sara Bento Moucho, Diretora do Centro de Formação ''Os Templários''
Maria Calado, Centro Nacional de Cultura
João Freitas Coroado, Presidente do Instituto Politécnico de Tomar
Maria João Filipe, Coordenadora da Rede de Bibliotecas Escolares
Diogo Alves, Diretor do Agrupamento de Escolas Conde de Ourém
Cláudia Campos, Diretora do Agrupamento de Escolas de Caxarias
Lina Serra, Diretora do Agrupamento de Escolas de Ferreira do Zêzere
Sandra Pimentel, Diretora do Agrupamento de Escolas de Ourém
António Carlos Godinho, Professor Bibliotecário aposentado do Agrupamento de Escolas Templários
Maria Celeste de Sousa, Professora aposentada, antiga diretora do Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria
COMISSÃO ORGANIZADORA
Agripina Carriço Vieira, Consultora
Graça Barão, Rede de Bibliotecas Escolares
Graça Quádrio, Agrupamento de Escolas Templários
Maria Luísa Nunes, Agrupamento de Escolas Nuno de Santa Maria
Sara Bento Moucho, Centro de Formação “Os Templários”
Sofia Silva, Instituto Politécnico de Tomar
Sónia Bastos, Câmara Municipal de Tomar
Teresa Tamen, Centro Nacional de Cultura
COMISSÃO CIENTÍFICA
Agripina Carriço Vieira
Célio Gonçalo Marques
Cristina Azevedo Tavares
Graça Barão
Sara Bento Moucho
Marco Daniel Duarte
Maria Fernanda Mateus
COMISSÃO TÉCNICA
Coordenação Gráfica: Regina Delfino, Rui Proença, TECHN&ART, Instituto Politécnico de Tomar
Coordenação Técnica: Sofia Silva, Manuela Sofia Silva, TECHN&ART, Instituto Politécnico de Tomar
Coordenação Geral da Gestão de Painéis: Nuno Garcia Lopes, Câmara Municipal de Tomar
Coordenação Informática: Centro de Informática e Sistemas do Instituto Politécnico de Tomar
Design Gráfico: Beatriz Cotrim, Instituto Politécnico de Tomar
Fotografia: Ana Rita Tavares Marques, André Araújo, Denis Dron, Inês Araújo, Maria Evaristo, Instituto Politécnico de Tomar
Programação: Centro de Informática e Sistemas do Instituto Politécnico de Tomar
SECRETARIADO
Cristina Tomé Velho
Maria de Jesus Cartaxo
Mónica Marques
Neuza Madureira
Patrícia Costa
Sandra Vieira
APOIO
